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Lápis de cor: profissionais vs escolares. Qual a diferença e qual comprar?

Os lápis de cor são certamente um dos materiais de desenho mais conhecidos. Muitos de nós entramos em contato com eles já nos primeiros anos da infância, desenhando casinhas ou “bonequinhos de palito” na escola, usando-os em aulas de arte ou em casa.


Por esse contato inicial muito infantil, pode ser comum pensar que lápis de cor não são um material artístico de qualidade, quando na realidade eles são um dos materiais mais diversos e incríveis de se trabalhar, seja para desenhos cotidianos ou profissionais.


A gama de lápis de cor disponíveis no mercado é realmente muito grande, variando dos escolares até os profissionais. Mas afinal de contas, quais são as diferenças entre eles?



Uma das principais diferenças já está clara no próprio nome dos produtos. Os lápis escolares são normalmente voltados para desenhos recreativos, enquanto os profissionais são empregados por artistas em seus trabalhos de desenho.


Mas, de maneira geral, é possível dizer que as principais diferenças entre esses dois tipos de lápis são a quantidade de cores disponíveis e a qualidade/durabilidade dos produtos utilizados.


Tanto os lápis de cor escolares quanto os profissionais são constituídos por uma haste de madeira, abrigando em seu interior uma peça chamada de mina, que é fabricada à partir de pigmentos misturados com outras substâncias, como fixadores e ceras.


Os pigmentos podem ser tanto naturais quanto artificiais, dando cor aos lápis. Além disso, eles podem ser solúveis ou não em água (o que diferencia, respectivamente, os lápis permanentes dos aquareláveis).


A partir desse ponto começam as diferenças.


Como dito anteriormente, os lápis de cor profissionais apresentam uma quantidade muito maior de cores quando comparados aos escolares.


Embora algumas linhas de lápis escolares tenham até 60 cores, os profissionais de uma única linha podem fornecer paletas de até 150 cores!


Além disso, as diversas marcas de lápis apresentam variações de cor entre si. Ou seja, as cores de cada marca são únicas. Dessa forma, é muito comum que artistas utilizem, ao mesmo tempo, marcas diferentes de lápis profissionais, formando paletas de centenas ou até milhares de cores.



Outra diferença muito marcante é a qualidade dos materiais que compõem as minas e até mesmo a madeira dos lápis. É relativamente comum que a madeira dos lápis escolares seja de baixa qualidade, sendo normalmente endurecida e quebradiça, podendo trincar com facilidade quando o lápis é apontado. Já a madeira dos lápis profissionais é, geralmente, mais macia e uniforme, permitindo que eles sejam apontados suavemente sem trincar ou quebrar.


Entretanto, a diferença mais marcante entre os dois tipos de lápis é, com certeza, a qualidade dos produtos da mina, como os pigmentos.


Todos os pigmentos desbotam ao longo do tempo conforme são expostos à luz, sendo uns mais sensíveis que outros.


A resistência à luz de cada pigmento é conhecida como lightfastness, e é possível dizer que, no geral, os lápis profissionais apresentam pigmentos muito mais resistentes, puros e duradouros que os escolares, o que permite que as obras feitas com eles tenham misturas de cores muito mais suaves e durem por muitos anos, principalmente quando armazenadas de maneira correta, enquanto obras feitas com lápis escolares se deterioram rapidamente.


Há também algumas diferenças com o “cuidado” que as marcas dedicam para cada tipo de produto. Os lápis escolares normalmente são simples, no sentido de que suas cores não são nomeadas ou numeradas, não sendo portanto identificáveis. Além disso, esses lápis normalmente são vendidos somente em conjuntos (estojos).


Já os lápis profissionais sempre apresentam, em cada cor, nomes e/ou numeração, o que permite identificar as cores mesmo em meio a uma infinidade de lápis parecidos. Além da nomeação, algumas marcas deixam, em cada lápis, informações como o grau de resistência à luz daquela cor.

Outro aspecto interessante é que os lápis profissionais normalmente podem ser comprados avulsos, sem a necessidade de comprar estojos com muitas cores.


Assim, nota-se que os lápis profissionais apresentam muito mais qualidade quando comparados aos escolares, o que justifica a última diferença marcante entre eles: o preço.



Enquanto lápis escolares podem custar entre dezenas e centenas de reais, os profissionais podem, em muitos casos, passar tranquilamente dos milhares de reais, principalmente no caso de produtos importados e estojos com muitas cores.


Agora, sabendo de todas essas diferenças entre os tipos de lápis você pode se perguntar “então eu preciso de lápis profissionais para fazer bons desenhos??”.


E para sua felicidade (e do seu bolso) a resposta é não.


Mesmo que os lápis profissionais sejam mais duráveis e forneçam um controle de cores melhor para o artista, é completamente possível fazer bons desenhos usando lápis escolares.


Todos os desenhos abaixo foram feitos por mim em 2019, usando somente lápis escolares.

Tenha em mente que a qualidade e a beleza do desenho dependem principalmente da dedicação e da vontade que é depositada sobre ele. Assim, você pode fazer desenhos lindíssimos seja com lápis escolares ou profissionais.


Mas quais lápis comprar?


O tipo e marca de lápis que você “deve” comprar é aquele que se encaixar melhor na sua realidade e no seu orçamento. Caso você seja um artista iniciante, priorize os lápis escolares e faça experimentos! Compre caixas pequenas ou grandes, misture marcas diferentes e se familiarize com o material.


Se depois desses experimentos você se sentir confortável com os lápis de cor e quiser se aprofundar no seu desenvolvimento técnico, procure lápis profissionais em estojos pequenos, de 12 ou 24 cores.


No geral, vá com calma, sem pressa e aproveite o que cada etapa e cada material têm a oferecer.

Estou deixando aqui uma lista de marcas e linhas para você que está procurando bons lápis para comprar!


Iniciantes:


Alguns lápis escolares bons para iniciar são os Ecolápis da Faber-Castell, que apresentam um bom custo-benefício e podem ser comprados tanto na versão permanente quanto aquarelável, em caixas de 12, 24, 36, 48 e 60 cores.


Além deles, uma outra opção são os lápis Noris Club da Staedtler, disponíveis em caixas de 12, 24 e 36 cores.


Intermediários:


Os lápis intermediários podem ser considerados “semi-profissionais”. Uma boa linha é a SuperSoft da Faber-Castell, disponível em caixas de 12, 24 e 50 cores com um ótimo custo-benefício.


Além deles há também a linha Goldfaber, também da Faber-Castell. Disponível em estojos metálicos com 12, 24, 36 e 48 cores, nas opções aquarelável e permanente.


Profissionais:


Como dito anteriormente, esses lápis são muito mais caros que os outros, então é recomendável que você apenas os compre se realmente quiser se aprofundar no desenho com lápis de cor.


A Faber-Castell também tem boas linhas profissionais de lápis de cor, tanto aquareláveis quanto permanentes, podendo ser considerados um dos melhores em custo-benefício.


  • A linha permanente é chamada "Polychromos" e pode ter seus lápis comprados de forma avulsa ou então em estojos que variam de 12 a 120 cores;


  • Já a linha aquarelável (usada nos meus desenhos) é a "Albrecht Dürer", que também tem seus lápis disponíveis de forma avulsa ou em estojos com os mesmos números de cores acima.


Há também outras boas linhas de lápis profissionais importados. Uma delas é a Americana "Prismacolor premier", utilizada por muitos artistas ao redor do mundo e disponível em até 150 cores!


No entanto esses lápis são muito difíceis de serem encontrados em lojas físicas aqui no Brasil.


Por fim, há também os lápis da famosa Caran d’Ache, uma marca Suíça considerada por muitos uma referência em lápis de cor e materiais artísticos, com produtos espetacularmente bons (e caros).


  • Uma das linhas profissionais permanentes é a Caran d’Ache "Luminance", que conta com lápis avulsos ou em estojos de 12, 20, 40 e 76 cores.


  • Outra das linhas permanentes é a Caran d’Ache "Pablo", com estojos de até 120 cores.


  • Além delas há também a linha aquarelável Caran d’Ache "Supracolor", com até 120 cores.

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Lucas Souza Bioarte. Todos os direitos reservados

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